sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sul da América

Lembra quando você era criança e atravessar a rua era uma missão que envolvia inúmeros riscos e, por conseqüência, emoções inenarráveis? Quando ir até outro bairro era algo feito às escondidas e com muito medo? É mais ou menos essa sensação a que tenho agora, só que o outro lado da rua é outro estado, o outro bairro é outro país.
Falando em termos práticos, em julho vou até Buenos Aires, e de lá passo em Montevidéu.
Hoje conversando com minha avó pelo telefone, ela me disse: “Cê vai nesses lugar doido aí, mas não esquece de voltar, hein!?” – não sei se conforta minha avó, mas parafraseando Raul, “tudo acaba onde começou”.
Em janeiro, hospedei em minha casa (quando eu ainda tinha uma casa) uma amiga australiana que estava em turnê pelo mundo. Saiu de Sidney, chegou a Buenos Aires, de lá foi pro Rio (de Janeiro), passou em Minas, fez um cruzeiro pela América do Sul, então foi até Madrid, passou em Gotemburgo, e de lá até o Japão antes de voltar pra casa.
Mas o mais bacana disso é esse “cruzeiro” não custou “os olhos da cara”. A Mikhaila é uma garçonete e estudante de história em Sidney, ganha por hora e não é de família rica. O que quero dizer com isso é que viajar não é um item de luxo, mas sim de disposição. Tudo se resume a uma mochila nas costas e vontade de ir ... até onde o fôlego agüentar.
O fato é que ter estado em contato com essa “maluca” durante algum tempo mexeu muito comigo, eu percebi que a vida que levava não fazia tanto sentido assim mais – queria experimentar novas emoções. Vim parar em Curitiba, e daqui vou pro mundo... Ah! Se vou!
Sair, efetivamente, de casa foi uma das melhores escolhas que já fiz. Eu sempre tive uma inveja branca desses meus amigos malucos que conhecem metade do mundo, seja pessoalmente ou não. That’s my time and i’m just starting.

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