sábado, 27 de fevereiro de 2010

quando eu entrar naquele ônibus, não vou estar deixando pra trás só uma cidade - vou deixar uma vida pra trás. o fato de eu ter resumido o volume dos meus bens de um apartamento a três mochilas não é só uma questão pragmática, é uma questão moral.
o medo do novo é inevitável, mas a certeza de que as possibilidades são só possibilidades e não deveriam ser mais que isso me move além do que meus passos poderiam ir.
um tchau mal dado é só um tchau mal dado, aliás, esse tchau já foi dado há muito tempo - só eu não tinha percebido.
deixe estar, quando eu chegar lá vejo o que vai ser de mim.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Paraná ²

Já falei sobre minha ida para Pato Branco aqui antes, mas não vejo problema em tocar no assunto novamente.
Às vezes eu também acho que é loucura, mas ah! sei lá ..
Vou mesmo sentir falta das amizades que construí por aqui, principalmente nos últimos tempos. Pessoas de quem eu não esperava muito coisa se tornaram grandes amigos - estou feliz por levar saudades.
Vou sentir muita falta da minha família, com certeza. Mas é um mal necessário ...
São só cinco anos, galera!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tava bem aqui curtindo o acaso do random do media player e apareceu essa música aí, me tocou de alguma forma, vai ver é só o que eu queria ouvir ...


Uh... Baby

Por que você foi pra tão longe?
Não precisava tanto
Bastava só não telefonar

Uh... Baby, baby, baby, baby
O que aconteceu?
O ar não foi suficiente?
Você não viu, você sumiu
Mudou de lugar

No mais, estou vivendo normalmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido o contrário


Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz


Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem vai ficar chorando?

Uh... Baby!
Sabe do que eu sinto saudades?
Do seu sorriso de manhã
E do quarto tão desarrumado

Uh... Baby
Saiba que eu gosto muito de você
Espero que esteja feliz
E bem acompanhada


Normal, estou vivendo simplesmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido o contrário

Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem vai ficar chorando?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Pato branco

Nesse momento estou dentro de um ônibus da linha Curitiba – Francisco Beltrão, ônibus esse que vai me deixar em meu destino: Pato Branco. Depois de mais de 1.600km, três ônibus e umas vinte e tantas horas vou finalmente conhecer a minha nova cidade. Há seis meses seria impensável pra mim pensar em sair de BH.


Ainda me é estranho pensar que vou morar no Paraná, um estado que eu não conhecia, um povo que eu não conheço, costumes diferentes dos que tenho, modos de se levar e se enxergar a vida, certamente, diferentes dos que tenho. Mas, enfim, foi a isso que me submeti quando escolhi vir pra cá atrás do meu diploma de engenheiro.

Com certeza, já vou deixando BH com saudades, tenho muitos amigos e amores por aí. Mas é justamente por isso que deixo BH feliz, não saio com mágoa ou ressentimento nenhum. Vou deixar pra trás uma vida que eu realmente gostava de viver em busca de uma outra que pode ser melhor – uma vez li uma coisa sobre trocar algo bom por algo melhor ainda, é mais ou menos isso que sinto.

Pra muita gente, estou sendo maluco por fazer isso. Abandonar uma vida construída em função de uma mera possibilidade. Não tenho nenhum argumento contra isso, realmente é loucura. Mas, quem de nós não precisa de uma loucura de vez em quando¿ Quem de nós sabe viver sendo certo e coerente o tempo inteiro¿ Quem de nós agüenta levar por muito tempo uma vida que não é a sua¿

Pra outras pessoas, estou fazendo a coisa certa, esse é o momento ideal de tentar uma coisa nova, não tenho filhos, peixe, cachorro ou namorada. As oportunidades não costumam bater duas vezes na mesma porta.

Não sei quais dessas pessoas estão certas, e nem quero pensar sobre isso. Tudo o que é sei é que estou indo, e se der certo, deu. Se não der, não deu.

Mas, enfim, de certo é isso aí. Desejem-me sorte! Vou atrás do que quero e acredito ser bom pra mim, o resto se resolve com o tempo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

pratique o desapego

Não é muito o meu estilo, mas vou colocar um texto de outro cara aqui. Mas, sendo Fernando Pessoa e estando tão em sintonia com o dia que tive, vale a pena:

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.